8.7.09

Direitos Autorais: por um novo modelo!

Assista ao vídeo com a fala de Alvaro Santi, do Fórum dos Músicos do RS, na mesa redonda sobre direito autoral realizada no primeiro "Música para Baixar", evento paralelo ao Fórum Internacional do Software Livre, em Junho de 2009, em Porto Alegre, RS.

Fala de Alvaro Santi no 1 MPB em Porto Alegre from Everton Rodrigues on Vimeo.





Militao Ricardo
Musico, Jornalista, Produtor Musical e Professor.
mrmaya@uol.com.br

Manifesto Movimento Música para Baixar

Este movimento encabeçado por um grupo de músicos, produtores musicais e culturais de diversos cantos do Brasil é importante para agregar pessoas no trabalho pelo aprimoramento da legislação de direitos autorais no Brasil.

A lei tem que prever as novas possibilidades de democratização da produção cultural e possibilitar novos modelos de trabalho da indústria fonográfica. Não podemos mais conviver com um sistema concentrador, que dá poder a apenas algumas organizações que controlam os meios de divulgação musical e distribuição fonográfica. O Século XX ficou par atrás.

Já assinaram o manifesto Roger Moreira, do Ultraje a Rigor e a cantora Zelia Duncan.

Leia, pense e assine o manifesto. Reproduzo aqui o texto encontrado no site Musica Líquida.


08/07/2009

Manifesto Movimento Música para Baixar


É a partir do surgimento da democratização da comunicação pela rede cibernética, que a conjuntura na música muda completamente.

Um mundo acabou. Viva o mundo novo!

O que antes era um mercado definido por poucos agentes, detentores do monopólio dos veículos de comunicação, hoje se transformou numa fauna de diversidade cultural enorme, dando oportunidade e riqueza para a música nacional – não só do ponto de vista do artista e produtor(a), como também do usuário(a).

Neste sentido, formamos aqui o movimento Música para Baixar: reunião de artistas, produtores(as), ativistas da rede e usuários(as) da música em defesa da liberdade e da diversidade musical que circula livremente em todos os formatos e na Internet.

Quem baixa música não é pirata, é divulgador! Semeia gratuitamente projetos musicais.

Temos por finalidade debater e agir na flexibilização das leis da cadeia produtiva, para que estas não só assegurem nossos direitos de autor(a), mas também a difusão livre e democrática da música.

O MPB afirma que a prática do “jabá” nos veículos de comunicação é um dos principais responsáveis pela invisibilidade da grande maioria dos artistas. Por isso, defendemos a criminalização do “jabá” em nome da diversidade cultural.

O MPB irá resistir a qualquer atitude repressiva de controle da Internet e às ameaças contra as liberdades civis que impedem inovações. A rede é a única ferramenta disponível que realmente possibilita a democratização do acesso à comunicação e ao conhecimento, elementos indispensáveis à diversidade de pensamento.

Novos tempos necessitam de novos valores. Temas como economia solidária, flexibilização do direito autoral, software livre, cultura digital, comunicação comunitária e colaborativa são aspectos fundamentais para a criação de possibilidades de uma nova realidade a quem cria, produz e usa música.

O MPB irá promover debates e ações que permitam aos agentes desse processo, de uma forma mais ampla e participativa, tornarem-se criadores(as) e gestores(as) do futuro da música.

O futuro da música está em nossas mãos. Este é o manifesto do movimento Música Para Baixar.

RJ – Leoni – Cantor e Compositor – http://www.leoni.art.br/ ehttp://musicaliquida.blogspot.com
DF – Ellen Oléria – Cantora e Compositora –http://sapatariadf.wordpress.com/
PB – Kaline Lima – Rapper
RS – Nei Lisboa – Cantor e Compositor – http://www.neilisboa.com.br/
SP – Trupe o Teatro Mágico – http://www.oteatromagico.mus.br/novo/
RS – Banda Bataclã – http://www.bataclafc.com.br/
PA – Juca Culatra & Power Trio –http://www.myspace.com/jucaculatrapowertrio
ES – Banda Sol na Garganta do Futuro –http://solnagargantadofuturo.blogspot.com/
PR – Banda Nuvens – http://www.nuvens.net/
DF – Banda Coyote Guará – www.coyoteguara.com.br
MT – Eduardo Ferreira – Integrante do Caximir, OsViralata e da Afábrika –caximirbuque.blogspot.com
DF – GOG – Rapper e Poeta – http://gograpnacional.com.br/
PA – Casarão cultural Floresta Sonora –http://www.myspace.com/florestasonora1
DF – Jaqueline Fernandes – Produtora Cultural –http://grioproducoes.blogspot.com/
PE – Pedro Jatobá – Diretor de Açoes Culturais do Instituto Intercidadania –http://www.intercidadania.org.br/
SP – Cabeto Rocker – Pascolato-Músico/Produtor Cultural
SP – Mateus Zimmermann – Jornalista, designer editorial e fotografo –www.mateus.jor.br
BR – Sociedade de Usuarios da Tecnologia Java – SouJava –http://www.soujava.org.br

RS – Marcelo Branco – Associação Software Livre.ORG –http://softwarelivre.org

RS – Richard Serraria – Compositor, músico, poeta e artivista –http://vilabrasilcodigolivre.blogspot.com/

SP – Fabio Malagoli Panico Bugnon – Advogado

RS – Everton Rorigues – Projeto Software Livre Brasil, Banda Bataclã FC eblog Brasil Autogestionário

Para assinar basta acessar:http://www.petitiononline.com/mpb/petition.html

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Militao Ricardo
Músico, Jornalista, Produtor Musical e Professor.
mrmaya@uol.com.br

7.7.09

Novo livro de Chris Anderson

Acaba de sair o novo livro de Chis Anderson, autor de "A Cauda Longa", livro importante para quem está atento à mudança na estrutura da indústria fonográfica. Nesta obra nova o autor discute sua idéia de que vale a pena oferecer uma obra de graça na rede e ao mesmo tempo uma versão paga com mais benefícios. Segundo Chris, o divulgação gerada pela versão gratuíta vai provocar a venda de uma certa quantidade, que por sua vez vai pagar a produção e dar lucro.

O Livro está disponível para download em versão de áudio. Também pode ser lida gratuitamente no http://www.scribd.com. O blog do autor informa que nas próximas semanas a obra vai ser oferecida em outras plataformas, em versões pagas e gratuítas.

Interessante é o detalhe de que a versão paga é a que traz benefícios adicionais. Vale a pena observar o que se entende por "benefícios". No caso da versão em MP3, a versão mais curta, com cerca de 3 hs de duração é a versão paga. A gravação completa, com cerca de seis hora é a que está sendo oferecida de graça. Porque? Os leitores de audiobook devem preferir a versão mais compacta e mais objetiva. Marketing. Pesquisa para entender o que o público deseja.

Com vocês a nova obra de Chris Andreson:

FREE (full book) by Chris Anderson


Militao Ricardo
Musico, Jornalista, Produtor Musical e Professor.
mrmaya@uol.com.br

5.7.09

Documentário discute direito autoral na era da informação

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1205200917.htm (12/05/2009)

NA REDE

remixer.com
Documentário discute direito autoral na era da informação a partir do produtor americano Girl Talk; diretor gravou parte do filme no Brasil

BRUNA BITTENCOURT
DA REPORTAGEM LOCAL

Sob a alcunha de Girl Talk, o produtor americano Gregg Gillis ficou conhecido por seus excêntricos mash ups, nos quais se apropria de dezenas de trechos de músicas de outros artistas, editados e rearranjados, para criar novas faixas.

Mas, para lançar cada um dos seus quatro álbuns, Gillis teria de ter desembolsado US$ 4,2 milhões com licenças para editoras e gravadoras -o que nunca aconteceu. O cálculo foi feito pelo diretor canadense Brett Gaylor em "RIP: a Remix Manifesto", documentário que parte de Gillis para discutir o direito autoral na era da informação e que agora está disponível em www.ripremix.com/ripit.
"Sempre houve uma tensão entre a internet e as ideias tradicionais que cercam propriedade intelectual", diz Gaylor, 32, em entrevista à Folha.

Em "RIP", o diretor defende a chamada cultura de remix, na qual, a partir do download -seja de uma música, seja de um filme-, internautas podem transformar uma obra já conhecida em algo novo, como sugere ser o caso de Gillis. "É uma forma de cidadãos não serem mais só consumidores, mas de se tornaram criadores."

No filme, a cultura de remix é defendida pela flexibilização da atual legislação que protege a propriedade intelectual -pela qual o uso de qualquer trecho de uma música sem autorização é passível de processo.

O filme trata desde a batalha do Napster até a atuação das grandes corporações, detentoras de gravadoras e estúdios, para que as regras do jogo não mudem. O diretor ouve, entre outros, Lawrence Lessig, fundador do Creative Commons -organização que disponibiliza licenças flexíveis para obras intelectuais. Para Gaylor, tal proposta é uma das melhores alternativas para o embate dos direitos autorais.

"É uma solução razoável que permite aos artistas declararem que seu trabalho pode ser sampleado, mas sem abrir mão de seus direitos comerciais, caso a obra venha a ser usada com fins lucrativos", diz o diretor. "A única alternativa para o futuro é restaurar o equilíbrio do direito autoral. Atualmente, há muita coisa nas mãos das grandes corporações."

Neste mês, enquanto ainda apresentava "RIP" em festivais de cinema, Gaylor disponibilizou o filme para download com a intenção de permitir às pessoas que "remixem, adicionem e melhorem" o documentário.

"Me inspirei no movimento do open source [código aberto], em que programadores e hackers criam softwares colaborativamente", diz Gaylor sobre o que ele chama de "cinema open source", instrumento que usou para permitir que o público interfira em seu filme. "Foi também um jeito de adotar algumas das ideias das quais o filme fala e de provar que elas podem ser um modelo novo, atual."

Brasil como exemplo
O Brasil ocupa uma significativa fatia do filme. Gaylor diz acreditar que o país tem muito a ensinar. Em passagem pelo Rio, conversou com Gilberto Gil, que levou o Creative Commons a um debate público quando ainda era ministro da Cultura. "É inspirador que a América do Norte veja isso."
Enquanto a discussão se aquece, o Girl Talk segue lançando seus discos por um selo especializado em samples, batizado de Illegal Art. E Gillis afirma que, até hoje, nunca foi processado.
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Militao Ricardo
Musico, Jornalista, Produtor Musical e Professor.
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22.4.09

Piratas são mais propensos a comprar músicas online, diz estudo

FONTE: http://idgnow.uol.com.br/internet/2009/04/22/piratas-sao-mais-propensos-a-comprar-musicas-online-diz-estudo/ (22/04/2009)
Por PC World/EUA

São Francisco - Probabilidade de usuários de redes de compartilhamento comprar músicas é dez vezes maior do que de usuários normais.


Os fãs que baixam discos ilegalmente via redes peer-to-peer (P2P) também estão entre os que têm mais probabilidade de comprar música online, indica um estudo da BI Norwegian School of Management, da Noruega. Após analisar os hábitos de aproximadamente 2 mil usuários com 15 anos ou mais, os pesquisadores descobriram que os piratas compraram dez vezes mais músicas que os usuários normais.

Obviamente, a indústria musical não ficou nada feliz com esse estudo. Um porta-voz da gravadora EMI destacou que o consumo de música está crescendo, mas a receita das gravadoras continua caindo - e a culpa é da pirataria.

Esse porta-voz não levou em consideração, entretanto, que a música online funciona de forma diferente. Enquanto no mundo “real” as pessoas são obrigadas a comprar um álbum com várias músicas (e que rende muito mais dinheiro às gravadoras), os internautas podem comprar faixas individualmente no mundo virtual, e isso diminui a receita das companhias do setor.

O mais importante é que o estudo revela um aspecto dos fãs de música pouco explorado pelas gravadoras. Usuários que baixam muitos discos via redes P2P são aficionados por música e, por um lado, faz sentido que eles recorram a lojas virtuais para comprarem as faixas que não conseguem encontrar de maneira alguma nas redes de pirataria. Ou seja, embora a pirataria seja um problema para as gravadoras, ela não é a única razão pela qual a indústria musical tem problemas.


Jeff Bertolucci, editor da PC World, em São Francisco


Militao Ricardo
Musico, Jornalista, Produtor Musical e Professor.
mrmaya@uol.com.br

1.3.09

Experiência com iPhone

Alguns meses após o lançamento do iPhone no Brasil finalmente comprei o meu smartphone, com pacote de acesso ilimitado à internet. Outro dia conto a novela que foi conseguir comprar o aparelho da minha operadora. Muita desinformação no setor de vendas. Mas isto é outro assunto.

Aparelho habilitado na mão, com conexão 3G, agenda transferida e músicas carregadas. Aí eu saí de férias… para um lugar sem conexão 3G! – “Vai funcionar durante 15 dias como um telefone normal”, pensei. Mera suposição. Nunca li tão poucos livros nas férias. Não sigifica que não li nas férias. Me distraí com artigos do New York Times, e-mails, mensagens do Tweeter, acompanhei a regata de volta ao Mundo através de seu site para celulares, li a Zero Hora e acompanhei o blog do Fernando Meligeni. Enfim, não me desconectei do mundo. Será que isso foi bom?

Eu trabalho ao longo dos 11 meses usando computadores de forma intensiva. E em casa também. Todos os anos eu faço questão de não levar notebook na viagem de férias. Evito as Lan Houses o máximo possível e saio pra rua sem telefone celular. É minha maneira de me desligar do mundo e do trabalho. Normalmente vou para uma pequena cidade no litoral de Santa Catarina.

Pois este ano levei inocentemete o iPhone 3G recém comprado. Não tinha conexão de banda larga aonde eu estava. Tinha conexão EDGE. Isto era o suficiente para eu acessar conteúdos de texto e fotos leves. Bastou para mudar minha rotina de férias. Acordar, abrir a janela, olhar o mar e … ler um artigo selecionado do New York times, controlar o saldo bancário sem pegar fila no terminal do banco no spermercado ou informar como estava a cara do dia em Garopaba pelo Tweeter.

Conclusões: bom… conclusões? “Tudo muito bom, tudo muito bem, mas realmente…” eu não desliguei minha mente dos assuntos do dia-a-dia do resto do ano. Ao terminar as férias olhei para a pilha de livros que foram guardados carinhosa e ansiosamente para as férias e voltavam para a mala sem ter sido lidos. Ficou uma pulga atrás da orelha. Será que vou pagar caro por não ter me desconectado? Será que o stress de trabalho voltará mais rápido? Será que valeu a pena ler o NYT com calma em vez dos meus livros?

Os smartphones realmente apresentam uma nova dimensão de acesso à internet e todo o complexo de informação e serviços que ela oferece. Uma capacidade de computação e conexão ampliada em relação à geração anterior de telefones. Agora a internet saiu do escritório da casa, da sala e postou-se na mesa de cabeceira. Abrimos os olhos demanhã e ali está a rede, a centímetros dos olhos e das mãos. Dá pra ler os e-mails antes de escovar os dentes. Não imagino bem como será quando as redes 3G estiverem por todo o lugar. Deu pra sentir que o potencial de mudança é grande.




Militao Ricardo
Musico, Jornalista, Produtor Musical e Professor.
mrmaya@uol.com.br

26.3.08

Um novo momento para a indústria da música no Brasil

Este texto eu escrevi para o jornal O Povo, de Fortaleza, em 2007.

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O ciclo de prosperidade das grandes gravadoras estrangeiras pode estar chegando ao fim. As mudanças no mercado fonográfico apontam para novas tendências e mostram, com velocidade, que o volume de gravações está crescendo no ritmo da transformações

O modelo de produção fonográfica está passando por um período de mudança no Brasil e no mundo. Neste momento dezenas de novas empresas fonográficas nacionais surgem em todos os cantos do Brasil, colocando no mercado uma variedade grande de estilos e generos, dando vazão para o grande mosaico cultural e sonoro do país. Os caminhos tradicionais de acesso do público a esta música ainda são dominados pelas grandes gravadoras multinacionais, mas este modelo está dando claros sinais de esgotamento. Uma saudável mudança está em curso. Novos canais surgem para trazer boa música aos nossos ouvidos.

O ciclo de prosperidade destas grandes gravadoras estrangeiras parece estar chegando ao fim. Estamos tendo indícios que o modelo da indústria fonográfica está mudando. A quatro anos atrás uma major lançava dez títulos por mês, em média. Hoje lança dez por ano. Mas os artistas continuam compondo e gravando, mais do que nunca. Neste período recente surgiram no país dezenas de pequenas gravadoras, impulsionadas pela paixão musical de seus donos e de sua vontade de viver da produção de discos. Eles produzem e divulgam trabalhos dos mais variados gêneros produzidos do Oiapoque ao Chuí. Elas estão gradualmente ocupando o espaço deixado pelas majors. Atualmente grandes artistas como Gal Costa, Maria Bethânia e Chico Buarque de Holanda estão lançando seus discos pela gravadora Biscoito Fino, uma empresa brasileira. A gravadora Paulista Trama, capitaneada por João Marcelo Bôscoli (filho de Elis Regina e Ronaldo Bôscoli) tem se dedicado a ocupar nichos de mercado que não interessavam às multinacionais. Um de seus maiores sucessos é o site Trama Virtual, onde qualquer músico ou banda independente tem espaço para publicar seu material na internet. Estas são empresas já de médio porte, que contam com recursos de investidores. Ainda constituem uma minoria.

O grande exemplo do potencial desta indústria é o fenômeno da cena do Tecnobrega, no Pará, onde surgiu a Banda Calypso. O grupo vendeu mais de 1 milhoes e cem mil cópias de um disco produzido pelo próprio grupo, divulgado pela internet e em CDs copiados em computador e vendido através dos camelôs. Este grupo venceu as barreiras comerciais da grande indústria. Seu início, no entanto foi simples e humilde.

Em sua grande maioria os selos independentes brasileiros são pequenas empresas que contam com pouquíssimos recursos para a produção e principalmente para a divulgação e a comercialização dos CDs ou fonogramas. Gravar um CD hoje é fácil. A indústria da eletrônica teve um notável desenvolvimento nos últimos dez anos, e hoje é possível montar um bom estúdio em qualquer lugar do Brasil. Um CD pode ser gravado em casa, com boa qualidade, no que depender da disponibilidade de equipamento. Difícil é divulgar e vender. A administração da empresa também é uma pedra no caminho em um setor onde tradicionalmente as pessoas eram mais avessas a questões burocráticas. Esse é um dos pontos fracos do setor. Aliás, cultura gerencial é um problema das micro-empresas de todos os setores no Brasil.

Novas iniciativas tem surgido e novos espaços se abrem para a divulgação e a comercialização da música produzida no Brasil. A internet é hoje o principal espaço de divulgação dos artistas independentes e de articulação dos produtores, na medida em que possibilita a comunicação rápida, ágil e barata entre pessoas separadas por longas distâncias. Já são conhecidos diversos casos de músicos brasileiros que estão fazendo shows na Europa devido à divulgação de seus trabalhos realizada pela rede mundial de computadores. Chico Corrêa, da Paraíba, BNegão, do Rio de Janeiro são dois deles. Uma rede de produtores de eventos musicais se organizou a partir do centro-oeste brasileiro e hoje abrange o país todo através da Associação Brasileira de Festivais Independentes - ABRAFIN (www.abrafin.com.br). A entidade surgiu a partir do trabalho de músicos e produtores de Cuiabá - o Espaço Cubo, Recife (Abril pro Rock), Goiânia (festival Bananada), Brasilia e hoje abrange o Acre, Rio Grande do Norte, Pará e Paraná, entre outros. São na maioria eventos de produção espartana, realizados com poucos recursos, mas que estão possibilitando algum retorno financeiro para a cadeia produtiva da Música. Bandas independentes de diversos cantos do país estão fazendo este circuito e se apresentando para platéias que já conhecem suas músicas graças à intenet e ao trabalho de distribuidoras de CDs como a Trattore, que se especializou no mercado independente. Outro recurso que tem dado resultado é a venda de CDs e camisetas na porta do show. Desta forma, selos como o Senhor F, de Brasilia, nascido a partir do site de mesmo nome (www.senhorf.com.br), lança discos de bandas como a Los Porongas, do Acre e Superguidis, de Guaiba, no Rio Grande do Sul.

Além dos festivais o mercado de música independente começa a amadurecer através de um circuito de Feiras comerciais e artísticas e de associações de classe, como a Associação Brasileira de Música Independente - ABMI (www.abmi.com.br), que reúne mais de cem pequenas e médias gravadoras brasileiras. A entidade tem obtido avanços para seus associados, como a inserção de música independente brasileira na loja iTunes, da empresa americana de computadores Apple, ou mesmo de melhores condições de negociação com a Associação Brasileira das Editoras Musicais, o que possibilitou aos independentes pagar direitos autorais pela gravação de obras após o lançamento dos CDs, algo que só era concedido às grandes gravadoras.

O circuito de Feiras está fortalecendo a indústria musical independente, promovendo o encontro de produtores, músicos, divulgadores, fornecedores, representantes do poder público e de entidades de classe que estão fazendo acordos comerciais, dialogando, trocando idéias e fortalecendo um mercado que é considerado pela Unesco como dono de um enorme potencial gerador de empregos, distribuição de renda e desenvolvimento social através da cultura. Diversos estados já promovem Feiras musicais periódicas, como Pernambuco, Ceará e o Distrito federal. A Feira Internacional da Música Independente - FMI, de Brasília (www.fmi2007.com.br) reuniu durante três dias músicos de 17 países em Maio último. Naquele evento foram negociados contratos de distribuição de artistas Belgas para o Brasil, de Artistas brasileiros do selo GRV para a Europa e foi fechado contrato para a realização do Reggae Sunsplash Festival em Brasilia, em 2008. E o mais importante: mais de 1.000 CDs de produção independente foram vendidos em três dias. O público demonstrou interesse pela música oferecida na FMI, que voltará a ser realizada em 2008 com apoio de grande patrocinadores como a Petrobrás.

Entidades públicas e privadas começam a entender o potencial econômico da indústria musical independente e apoiar o setor através de políticas públicas e projetos. O professor Luis Carlos Prestes Filho, da PUC do Rio de Janeiro realizou um minucioso estudo onde comprovou com metodologia econométrica o capacidade da música de gerar renda, ao estudar uma pequena cidade do interior do estado do Rio de Janeiro que tornou-se atração turística devido à sua tradição de serestas. Baseado neste e em outros estudos o Ministério da Cultura tem realizado programas para fortalecer as chamadas economias criativas. O ministro Gilberto Gil tem realizados esforços para propagar esta visão entre os setores empresariais brasileiros, geralmente avessos à indústria da cultura, que nos Estados Unidos, por exemplo, movimenta mais dinheiro do que a indústria automobilística. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - Sebrae - tem dado apoio à produção e exportação de CDs no Ceará, em Pernambuco, Goiás, Distrito Federal e em São Paulo através de programas de qualificação gerencial e de divulgação da produção independente. O Brasil começa a acordar para o fato de que além de exportar soja ou produtos primários, nossa música tem o potencial para trazer muitos dólares para o país.

O consumo de bens culturais depende de distribuição de renda e da universalização da educação, itens deficitários na sociedade brasileira. As dificuldades estruturais são muitas. Mas a vocação musical do povo brasileiro e os recentes avanços observados permitem visualizar possibilidades interessantes para os próximos anos. A instalação do sistema de rádio e TV aberta com tecnologia digital no Brasil oferecerá mais canais de divulgação de larga escala. Se a legislação e a política de concessão de canais passarem a atender mais ao público ouvinte e aos pequenos e médios produtores poderemos ter um fortalecimento ainda maior da produção musical independente.


fonte: http://www.opovo.com.br/opovo/vidaearte/704524.html
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MILITÃO RICARDO é produtor, músico, jornalista e professor do curso de Comunicação Social do Centro Universitário Metodista IPA, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Sócio da Idéias Mil, Comunicação e Cultura

mrmaya@uol.com.br

21.12.06

Ahmet Ertegun - O fim de uma era.

Ahmet Ertegun, fundador da Atlantic Records, um dos maiores nomes da indústria fonográfica mundial faleceu dia 14/12/2006. A era dos produtores musicais apaixonados por música tem mais uma marca de seu fim. Um dos maiores produtores de todos os tempos, Ertegun era antes e acima de tudo um apaixonado por música. Hoje a maioria dos produtores é apaixonado apenas por dinheiro. A Atlantic revelou ao mundo alguns dos maiores nomes do R&B, do Soul, do Jazz e do Rock. Foi responsável pela afirmação da música negra norte-americana, inclusive na época onde o racismo era amparado por lei nos EUA.
Sugestões:
1 - Filmes
Ray, sobre a vida de Ray Charles

2 - Livros:
Making Tracks: Atlantic Records and the Growth of a Multi-Billion-Dollar Industry. by Charlie. Gillett
What'd I Say: The Atlantic Story by Ahmet Ertegun.

3 - Sites:
http://www.atlanticrecords.com/home.jsp
http://www.atlanticrecords.com/ahmet/
http://www.bsnpubs.com/atlantic/atlanticstory.html

4 - Youtube





Militao Ricardo
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